Caso Adrielly: médico faltava aos plantões há cinco anos
Segundo delegada, Adão Crespo fez acordo com colega, que assinava cartões de ponto por ele no hospital. No Natal, menina esperou 8 horas por uma cirurgia
Adão Crespo (à dir.) prestou depoimento ao delegado Luiz Archimedes
(Cezar Loureiro/Agência O Globo)
Ao contrário do que disse à polícia, o neurocirurgião Adão Crespo
faltava aos plantões no Hospital Salgado Filho, Zona Norte do Rio, há
pelo menos cinco anos, confirmou nesta sexta-feira a Delegacia
Fazendária (Delfaz), que investiga o caso. Em depoimento, o médico
admitiu a ausência mas disse que não cumpria a escala havia somente um
mês, por discordar das políticas da unidade de saúde.
A ausência de Crespo no plantão da noite de Natal obrigou a menina Adrielly Vieira,
de 10 anos, a esperar oito horas para ser submetida a uma cirurgia. Ela
havia sido atingida por uma bala perdida na cabeça na noite de Natal,
enquanto brincava em casa. Três dias depois de ser internada, Adrielly
foi transferida ao Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde morreu no
último dia 4.
Crespo será indiciado por omissão de socorro, e também estelionato e falsidade ideológica.
Na quinta-feira, a delegada Izabela Rodrigues Santoni verificou as
folhas de ponto do hospital e constatou que o neurocirurgião assinou os
registros do mês de novembro, apesar de não ter comparecido ao trabalho
nenhum dia.
De acordo com a delegada, o neurocirurgião tinha a ajuda de um colega,
que não teve o nome divulgado. "Há pelo menos cinco anos, outro médico
do próprio hospital usava a matrícula do Adão e tirava os plantões por
ele. Era esse médico que efetivamente trabalhava. Isso era um acordo
entre eles", afirmou Izabela, dizendo que este homem também será chamado
para depor.
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