Unesco concede prêmio a Frei Betto por contribuição à paz e à justiça social
ABR
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura
(Unesco) concedeu ao escritor e assessor de movimentos sociais Frei
Betto o Prêmio Internacional José Martí.
Em nota, a Unesco informou que Frei Betto foi escolhido por um júri
internacional por sua contribuição à justiça social, aos direitos
humanos e à construção de uma cultura de paz universal e por sua
oposição a todas as formas de discriminação, injustiça e exclusão.
“Me dá muita alegria, mas reconheço que este não é um prêmio à minha
pessoa, e sim a todos os movimentos sociais e comunidades com que eu
venho trabalhando ao longo de décadas pela paz, justiça e direitos
humanos. Eu sou apenas um grão de areia numa enorme praia que converge
na direção dessas três bandeiras que constituem a maior ansiedade da
humanidade”, disse à Agência Brasil Frei Betto, destacando a importância
de, segundo ele, ter sido escolhido por unanimidade do júri.
“Eu nem sabia que meu nome tinha sido indicado até ser
[extraoficialmente] informado de que eu havia ganho o prêmio”,disse ele,
que recebeu hoje (11) o e-mail oficial da Unesco.
Frei Betto disse desconhecer quem eram os outros indicados ao prêmio, cujos nomes não foram divulgados pela Unesco.
Criado em 1994, por iniciativa do governo de Cuba, o prêmio tem o
objetivo de recompensar as organizações ou pessoas que desenvolvam ações
que reflitam os ideais do herói da Independência Cubana, José Martí, um
defensor da união dos países da América Latina e do Caribe.
A distinção também é concedida a quem tenha contribuído para a
preservação da identidade, tradição cultural e valores históricos das
nações latino-americanas e caribenhas.
A sexta edição do prêmio de US$ 5 mil, financiado por Cuba, coincide
com as comemorações do 160º aniversário de nascimento de José Martí. A
cerimônia de premiação está marcada para o dia 28 deste mês, em Havana.
"Faço questão de ir a Cuba para receber este prêmio pessoalmente",
comentou Frei Betto.
A cada edição, os nomeados são indicados pelos governos dos Estados
membros da Unesco e pelas organizações não overnamentais (ONGs) que
colaboram com a organização. O último ganhador,antes de Betto, foi o
escritor argentino Atilio Borón.
Nascido em Belo Horizonte, em 1944, Carlos Alberto Libânio Christo, o
Frei Betto, é autor de mais de 50 livros traduzidos para vários idiomas.
O mais conhecido deles, Batismo de Sangue, venceu o Prêmio Jabuti de
1982, na categoria biografia/memórias.
Militante da chamada Teologia da Libertação, movimento de caráter
religioso-político surgido na América Latina na década de 1950, Betto
participou de vários movimentos pastorais e sociais.
Por sua atuação política, foi preso duas vezes durante o regime militar
(1964-1985), chegando a passar quatro anos detido. Entre 2003 e 2004
foi assessor especial do então presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva. Também foi coordenador de mobilização social do programa Fome
Zero.
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