Plebiscito 'de Dilma' divide até o PT
Plebiscito proposto pela presidente Dilma para mudar sistema político divide até o PT.
O plebiscito proposto pela presidente Dilma
Rousseff para mudar o sistema político divide até o PT. Embora a
Executiva Nacional petista vá aprovar nesta quinta-feira um cronograma
de mobilização, conclamando os militantes a se engajarem na campanha em
defesa do plebiscito, a consulta popular não tem apoio unânime nem mesmo
na bancada do PT na Câmara. Em meio à polêmica, o coro do “Volta Lula” é
agora ensaiado por uma ala do partido que faz críticas contundentes à
articulação política do governo Dilma.
“Eu acho que já está na hora de o Lula voltar”, afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Autor da proposta de terceiro mandato para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Devanir disse que os protestos nas ruas tiveram outra motivação. “Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir.”
“Eu acho que já está na hora de o Lula voltar”, afirmou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Autor da proposta de terceiro mandato para o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Devanir disse que os protestos nas ruas tiveram outra motivação. “Quem pediu plebiscito? O que falta no governo Dilma é gestão. As pessoas querem transporte de qualidade, saúde e educação. Dinheiro tem. É só investir.”
Para Devanir, a presidente continuará enfrentando problemas em
sua base aliada, e não apenas com o PMDB, enquanto não der autonomia aos
ministros para fazer a articulação política do governo. “A Ideli,
coitada, é como um elefante numa loja de cristais”, definiu o deputado,
numa referência à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti,
responsável pela negociação com o Congresso.
Amigo de Lula há mais de 30 anos e diretor do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Bernardo do Campo na época em que ele comandava a
entidade, Devanir afirmou que a reforma política é assunto para “outro
departamento”. A proposta enviada por Dilma ao Congresso prevê que a
população seja consultada sobre cinco pontos: financiamento de campanha,
sistema de votação, término dos suplentes no Senado, voto secreto no
Parlamento e fim das coligações partidárias.
“Eu sou contra esse plebiscito, mas voto com o governo. Agora,
querer jogar para o povo uma coisa que não conseguimos resolver há mais
de dez anos não vai dar certo”, insistiu Devanir. “Essa reforma é para
salvar os partidos, não é de interesse da sociedade.” Na sua avaliação, a
convocação de uma Constituinte exclusiva para votar a reforma política
seria mais apropriada. A sugestão chegou a ser feita por Dilma, mas ela
recuou diante das resistências ao assunto, até mesmo por parte do
vice-presidente Michel Temer.
Ao lembrar que o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos,
quer incluir no plebiscito o fim da reeleição e o mandato de cinco
anos, Devanir foi irônico. “Como dizia Vicente Mateus, isso é uma faca
de dois legumes”, afirmou ele, em alusão ao ex-presidente do Corintians.
Campos deve ser adversário de Dilma na eleição de 2014.
Decepção. Na tentativa de amenizar a crise, o ministro-chefe da
Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que as
discordâncias em relação ao plebiscito são “naturais”. Na terça-feira, a
bancada do PMDB na Câmara fechou questão contra a realização do
plebiscito neste ano e, a portas fechadas, considerou a iniciativa como
“manobra”, termo empregado pelo PSDB e outros partidos de oposição.
“O PT também tem divergências, o PSB, o PDT... Isso faz parte”,
desconversou Carvalho. Mesmo assim, o ministro observou que será “uma
decepção” se as mudanças não valerem para as eleições de 2014. “Se é
verdade que queremos acabar com a corrupção, é importante que façamos
uma reforma estrutural na política, que trabalhe primeiro o
financiamento público de campanha.”
Em vídeo postado no site do PT, o presidente nacional do partido,
Rui Falcão, conclamou os militantes a apoirem a consulta popular
proposta por Dilma e disse que ela é “sensível” à voz das ruas. “Não há
prazo, nenhuma dificuldade técnica, a nosso ver, que impeça a realização
desse plebiscito”, argumentou Falcão.
O deputado José Genoino (PT-SP) encaminhou à bancada petista
proposta de emenda constitucional prevendo que a população autorize os
parlamentares eleitos em 2014 a revisar os artigos da Constituição que
tratam do sistema eleitoral e partidário. A reforma passaria, então, por
uma Assembléia Revisora e, depois, seria submetida a um referendo
popular, em abril de 2016.
Trata-se de um “plano B” para salvar as mudanças sugeridas pelo
governo no sistema político, diante das resistências observadas em todos
os partidos, da base aliada à oposição. “Sem plebiscito não tem reforma
política. Só tem reforma cosmética”, comentou Genoino, que foi
condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.
Na reunião da Executiva do PT, nesta quinta-feira, o deputado
Geraldo Magela (DF) vai propor que o plebiscito, se ocorrer, seja
facultativo. “Quem não tem interesse na reforma política não deve ser
obrigado a votar, porque senão vai votar de qualquer jeito”, disse
Magela. “As pessoas devem votar por convicção, e não por obrigação.”
Fonte: estadão
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