Internet via balões no Brasil
Internet via balões no Brasil pode chegar à velocidade de 100 Mbps.por Davi Lambertine
Ainda não se sabe exatamente quais áreas serão atendidas e nem a quantidade de pessoas a serem beneficiadas pelo projeto Conectar,
mas alguns lugares como o norte de Minas Gerais e partes do Amapá,
Amazônia, Roraima e Piauí já estão previstos, segundo o engenheiro José
Angelo Amado, que é o responsável pelo projeto dentro da Telebras.
Sob tutela dos ministérios das
Comunicações e de Ciência e Tecnologia, a Telebras, o Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro de Pesquisa e
Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) estão criando balões que
serão alçados a cerca de 1,5 quilômetro para espalhar a rede. É como se o
sinal do Wi-Fi comum, que atende uma área de 400 metros, fosse
amplificado para um alcance de 25 km.
Três pilares são fundamentais
para o projeto: atender o máximo de pessoas simultaneamente e ter as
maiores área de cobertura e velocidade possíveis. Quanto ao último
quesito, o Ministério das Comunicações, seguindo o PNBL (Plano Nacional
de Banda Larga), determina o mínimo de 1 Mbps por usuário, mas a
Telebras trabalha também para atender clientes corporativos (incluindo o
governo) e provedores de internet; nesses casos a velocidade seria de
20 Mbps, podendo chegar a 100 Mbps.
O grande desafio é manter isso
em funcionamento, pois, estando a mais de 200 metros de altura, o balão
está sujeito a todo tipo de intempérie. “Um vento muito forte poderia
causar prejuízos”, observa o engenheiro da Telebras.
Ao menos por enquanto, a
tecnologia não permite acessos móveis diretos; a transmissão será feita
até um receptor que levará a internet até o usuário.
Oportunidade
O sistema de balões pode ser
usado em outras situações, inclusive em grandes metrópoles como São
Paulo e Rio de Janeiro. “Basta estar em acordo com aerovias pra deixar
os balões fora das rotas e evitar acidentes”, explica Amado.
O método seria útil em casos
emergenciais, para restabelecer os serviços de comunicações rapidamente,
e em grandes eventos. Quem participou das manifestações de junho notou
que foi difícil usar a internet nas ruas por causa da alta demanda, o
que poderia ser evitado com ajuda de balões. A mesma coisa para
acontecimentos como Rock in Rio e Lollapalooza.
“Essa possibilidade [o uso
comercial] já está dentro do escopo do trabalho, mas a urgência agora é
atender à demanda onde não há acesso”, afirmou o engenheiro.
Google
O Google também tenta espalhar internet com balões por meio do Project Lion;
a diferença é que, enquanto no Brasil eles ficarão ancorados a 1,5 km
de altura (são troposféricos), os da gigante de buscas serão soltos e
permanecerão a 20 km do solo (estratosféricos).
A ideia da gigante de buscas é basicamente a mesma daqui: chegar aonde ninguém chega. Só que o Project Lion já recebeu duras críticas de Bill Gates.
“Quando você estiver morrendo de malária, eu acho que você irá olhar
para cima e ver o balão, mas eu não sei como isso irá ajudar”, atacou o
cofundador da Microsoft, que por meio da Bill & Melinda Gates
Foundation financia extensivamente pesquisas para o desenvolvimento da
cura da doença.
Embora apoie a disseminação da
internet, ele chegou a dizer que “quando uma criança tem diarreia, não
existe nenhum site que possa aliviar isso”.
Olhar Digital

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